Porquê "Redes ao quadrado"?

A forma física da rede da baliza e a posição de Guarda-Redes, onde tudo o que acontece é elevado ao quadrado... Os sucessos e os fracassos! As alegrias e as frustrações! O esforço e a dedicação! A entrega e a paixão!

domingo, 26 de abril de 2015

A questão das grandes penalidades

"Azar?... sorte? … lotaria? ... ou o uso da competência na conversão/defesa da oportunidade?...

Surgem de forma frequente opiniões referentes a esta questão como se de um caso de sorte ou azar se tratasse no êxito para a sua resolução. 

Sabemos hoje que a dinâmica do Futebol e o seu grau de exigência para o sucesso, tem de estar ancorada de razões que sejam capazes de promover a capacidade de vencer resistências adversas, para a obtenção de níveis elevados de rendimento, para que se atinja o êxito.

Não sendo o Futebol uma ciência, são várias as ciências que oferecem um contributo extraordinário para que tal aconteça, tais como: Fisiologia, Psicologia, Nutrição, Treino Desportivo, Estatística, Medicina Desportiva, Biomecânica … etc… que, associadas a uma planificação e programação cuidada, podem conduzir ao sucesso na competição.

No correspondente ao caso em causa, isto é na marcação de uma grande penalidade, estudos de vários autores como Morris e Franks (1997) e Wisiak (2004), ajustados e confirmados pessoalmente, uma bola que atinja em média uma velocidade de 100 a 120 Km/h – 20.83 a 27.73 metros/segundo, demora a percorrer 600 a 400 ms (milissegundos) a ultrapassar a linha de baliza.

Caso o guarda-redes espere pelo remate para reagir, terá um diferencial de 338 ms a seu desfavor, pois o seu tempo de reação é de cerca de 700ms, isto é, uma velocidade de reação de 4 metros /segundo, quando para ter tempo de defesa, deveria possuir uma velocidade de 7.7 m/s. Logo, o guarda-redes tem mesmo de se antecipar à saída da bola, pelo marcador. Pergunto: será possível treinar isto e em que condições o deverá fazer?

Sabemos que os maiores fatores para um boa tomada de decisão e que podem influenciar a resposta, são: capacidade sensitiva, perceção, memória, atenção e concentração, capacidade de ultrapassar expectativas perante a pressão, capacidade intelectual, autoconfiança, motivação, boa condição física,…

Também a experiência acumulada referente aos jogadores marcadores, uma boa leitura da trajetória de corrida, o foco visual (perante níveis de ansiedade elevados, o jogador marcador tem tendência a centrar o seu olhar para as zonas de maior preocupação), a perna de apoio para o remate, a posição da bacia no momento do pré contacto com a bola, a posição do braço contrário à perna do remate (tendência para um ligeiro ou amplo afastamento lateral), são indicadores a ter em conta no aspeto avaliativo para quem defende.

Da parte do jogador rematador também muitas das condições expostas deverão ser tidas em conta, associando uma elevada capacidade de concentração, utilizando a capacidade respiratória, imaginação e visualização mental, focalizando de forma antecipada as condições de previsão do êxito como sentir a bola a bater nas redes, os colegas a aplaudir, o estado de graça autenticado com uma palavra /chave … (ver a palavra chave de C. Ronaldo na marcação de livres), eliminando fatores adversos, considerados como lixo (ruído, resultados negativos, experiências nefastas, condições atmosféricas, informações derrotistas que surgem do exterior…), e remetendo para o seu interior, um pensamento positivo misturado de afeto, pois, como temos dito, o pensamento positivo ajuda de forma extraordinária a concentrar naquilo que se pretende atingir e destruir o que se pretende evitar.

Num ou noutro caso, como atrás referi, deverá apelar ao nível da consciência uma palavra ou frase /chave, que funcionará como garantia de uma testemunha viva, ou âncora para o sucesso. Além do mais, poderá verificar o seu estado de ansiedade somática, analisando o suor de mãos, inquietação corporal momentânea, batimento cardíaco (sabemos que em situações desta natureza, a frequência cardíaca pode registar valores de 160 a 180/minuto).

É evidente para se obter estes níveis de prestação, muita qualidade e perseverança no treino (que habitualmente cognominamos de engenharia ambiental, associada a outro palavrão – dessensibilização sistemática), que ainda estará para durar, (cada vez menos tempo do que o previsto), o seu processo de planificação e aplicabilidade.

Penso por isso que é preciso tudo fazer para que estas e outras questões que o jogo coloca devam ser resolvidas pelo treino, e que as questões do treino se promovam no jogo.

Marcação de uma grande penalidade, azar, sorte, lotaria? … ou o uso do treino em competência para a conversão da oportunidade (defesa ou golo) em jogo?...

Jamais será a razão absoluta ou a certeza das razões para o sucesso … mas que ajudará a algo de mais significativo em se poder guiar contra o fracasso, eu penso que não estarei errado.

É claro que não será fácil este envolvimento na preparação para a competição porquanto se sabe, que quaisquer metodologias que contenham algo de inovador, ainda, (para alguns) constituem matéria quase ofensiva … esses que julgam que no FUTEBOL SE PASSA O SEMPRE DE SEMPRE!"


José Neto é Metodólogo Treino desportivo, Mestre em Psicologia Desportiva, Doutor em Ciências do Desporto/Futebol, Formador Treinadores FPF – UEFA e Docente Universitário

Fonte: A Bola online

sábado, 25 de abril de 2015

Beto "ao quadrado" - Os dois lados do guarda-redes num só jogo

A posição de guarda-redes tem tanto de ingrata como de curiosa... Beto hoje foi a imagem deste dito popular. 

Hoje Beto, no Sevilha, voltou à titularidade do clube em partida para a 2ºmão da Liga Europa. Quando o clube espanhol se encontrava em vantagem na eliminatória por 3-1, o guardião internacional português errou nos dois golos que ditavam o empate na eliminatória.

A seguir, em intervenções de raiva, salvou o Sevilha de sofrer a remontada na eliminatória e o golo milagroso de Gameiro surgiria no final do encontro. Uma exibição muito ambigua de Beto, que teve tanto de mau como excelente. No fim, a sorte sorriu-lhe e está a caminho das meias finais da competição! 

Em suma, ser guarda-redes não é (mesmo) fácil...



Aqui fica o melhor...


...e o pior!


sexta-feira, 24 de abril de 2015

The Goalkeepers´ Union

A NBC Sports realizou uma entrevista a alguns dos mais bem sucedidos guarda-redes da Premier League. Tim Howard, Kasper Schmeichel , Brad Guzan e Asmir Begovic deram os seus testemunhos sobre as vivências e sentimentos de serem dos guarda-redes mais observados do futebol internacional. Falaram também sobre aspetos técnicos e táticos, das cargas de treino a que estão sujeitos e da união que existe entre os donos da baliza, por experimentarem sentimentos comuns, nos bons e nos maus momentos!

É, sem dúvida, uma excelente entrevista que deve ser vista pelos amantes do treino de guarda-redes e desta posição.


Assista à entrevista em: The Goalkeepers´ Union

terça-feira, 21 de abril de 2015

Fedaração Portuguesa de Futebol lança escola para formar Guarda-Redes

A criação de um Centro de Alto Rendimento para o Futebol, a Cidade do Futebol, foi um compromisso da atual liderança da FPF.

Um dos principais objetivos da Cidade do Futebol é centralizar os melhores talentos do futebol nacional e potenciar as suas qualidades técnicas, físicas e desportivas.

O guarda-redes de futebol, atendendo à especificidade da sua função, assume-se cada vez mais como elemento fundamental de uma equipa.

O PROJETO 1 - Escola de Guarda-Redes vai envolver a família do futebol e demais stakeholders da FPF num programa nacional de promoção, treino, qualificação da posição de guarda-redes e respetivos quadros técnicos.

O PROJETO 1 - Escola de Guarda-Redes estará integrado na divisão desportiva da federação, na dependência do diretor-geral.

Federações de grandes países como Alemanha, Inglaterra e França têm programas semelhantes ao PROJETO 1, Escola de Guarda-redes.


Objetivos

Aumentar o número de guarda-redes com desempenho elevado para integrar as seleções nacionais de formação;
Qualificar e valorizar a posição de guarda-redes;
Promover o guarda-redes português;
Colocar a FPF como referência internacional na formação de guarda-redes de futebol de excelência.

Ações de curto prazo

Identificar os melhores guarda-redes portugueses dos 14 aos 17 anos e projetar o seu desenvolvimento;
Abrir as convocatórias a mais três guarda-redes por estágio nas seleções sub-15, sub-16, sub-17 e sub-18;
Observar guarda-redes, treinadores de guarda-redes e outros elementos, em treino e jogo;
Elaborar proposta metodológica para operacionalização dos conteúdos de treino de guarda-redes;
Proporcionar apoio técnico específico aos clubes a que pertencem potenciais guarda-redes de excelência;
Convidar treinadores de guarda-redes dos clubes para acompanhar estágios das seleções;
Envolver coordenadores técnicos distritais e treinadores das seleções distritais.

Ações de médio prazo

Criar dois cursos/licenças FPF para treino de guarda-redes;
Propor integração de conteúdos programáticos específicos sobre treino de guarda-redes nos cursos de treinador;
Criar grupo de trabalho de especialistas para elaborar os conteúdos específicos sobre treino e formação de treinadores de guarda-redes;
Criar espaço de reflexão anual, em articulação com treinadores de guarda-redes de clubes e das seleções dos escalões de formação.

Sistema educativo

Elaborar, em articulação com Ministério da Educação/Desporto Escolar, um programa nacional de promoção da posição de guarda-redes, com a participação de guarda-redes de referência, principais treinadores e scoutsdas equipas nacionais;
Sensibilizar os jovens estudantes do Ensino Básico e do Secundário para a importância do guarda-redes de futebol.

Equipa do projeto

Vítor Baía trabalhará com uma equipa multidisciplinar de profissionais da FPF;
Treinadores de guarda-redes das seleções nacionais (masculina e feminina) de formação;
Coordenador-Técnico e Técnicos das Associações Regionais e Distritais de Futebol;
Treinadores de guarda-redes dos clubes.


Fonte: FPF

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Top Defesas Jornada 33 | Ligue 1 2014/2015

A Jornada 33 da Primeira Liga Francesa foi recheada de grandes defesas, onde os guarda-redes Vincent Enyeama (LOSC Lille), Simon Pouplin (OGC Nice), Salvatore Sirigu (Paris Saint-Germain), Remy Riou (FC Nantes) e Benjamin Leroy (Evian TG FC) estiveram em grande destaque.

Como em todas as semana, será apresentado o vídeo referente às melhores defesas da jornada e, de seguida, uma análise às intervenções dos guarda-redes.

   
Fonte: Ligue 1 (Officiel)

Vincent Enyeama - Mais uma vez no top semanal, o guardião nigeriano voltou a mostrar grandes reflexos e uma excelente agilidade e velocidade de reação. Desta vez, "elevado ao quadrado"! Primeiro, defendeu um remate executado com a biqueira da bota, o que torna a defesa sempre mais rápida e complexa por ser um remate sem preparação, mostrando grande tempo de reação e agilidade. De seguida, conseguiu parar a bola vinda do poste com a sua mão esquerda, evitando a recarga do avançado, mostrando novamente bons reflexos e capacidade de reagir à movimentação da bola.

Simon Pouplin - O excelente posicionamento de Pouplin, aliado à sua coragem, instinto e capacidade de reação, permitiram uma grande defesa a remate forte de David Luiz à entrada da pequena área.

Salvatore Sirigu - O guardião italiano mais uma vez em destaque, e por motivos muito semelhantes ao da Jornada 31. Muito bom posicionamento na baliza, acompanhando sempre a trajetória da bola e, seguidamente, excelente coordenação de movimentos dos membros inferiores e impulsão para voo lateral. Por estes motivos, Sirigu conseguiu uma das defesas mais espetaculares da jornada.

Remy Riou - A elevada intensidade e frequência de apoios dos membros inferiores possibilitaram um correto e veloz posicionamento na baliza após a situação de cruzamento num canto. De seguida, a velocidade de reação do guarda-redes voltou a falar mais alto e saiu mais uma grande defesa, merecidamente, para o top semanal da Ligue 1. 

Benjamin Leroy - Com uma grande velocidade de execução do deslocamento frontal e lateral, Leroy consegui acompanhar em todos os instantes o movimento da bola. Após o passe atrasado, recolocou-se rapidamente na posição mais favorável e com a sua agilidade e reflexos conseguiu uma bela defesa.


Até para a semana, e muitas defesas...

sábado, 18 de abril de 2015

XI Congresso Internacional de Futebol - Ciência, Competência, Razão

Será realizado nos dias 29 e 30 de Abril, no Auditório do ISMAI - Instituto Universitário da Maia, a 11.ª edição do Congresso Internacional de Futebol. 

O congresso terá presença de grandes nomes do futebol e treino desportivo, tanto a nível nacional como internacional. Será também realizado um Workshop Prático relacionado com o Treino de Guarda-Redes, lecionado pelo Mestre Luis Esteves (Vitória Sport Clube - Guimarães).

O valor da inscrição varia entre os 10 e os 25 euros, sendo que os valores para a inscrição no congresso com certificação da formação contínua para treinadores variam entre os 20 e 40 euros.

Com certeza que serão dois dias recheados de ciência, competência e razão e que proporcionarão partilhas de conhecimento bastante ricas!

Para aceder ao programa e a outras informações sobre o evento, visite o site oficial do ISMAI:
XI Congresso Internacional de Futebol

terça-feira, 14 de abril de 2015

Top Defesas Jornada 32 | Ligue 1 2014/2015

No top semanal referente à Jornada 32 da Ligue 1, os guarda-redes Vincent Enyeama (LOSC Lille), Benjamin Lecomte (FC Lorient), Benoit Costil (Stade Rennais), Jonal Lossl (EA Guingamp) e Ali Ahamada (Toulouse FC) encontram-se em destaque.
Em baixo é apresentado o vídeo cedido pela Ligue 1 e de seguida uma análise às intervenções dos guarda-redes.

Fonte: Ligue 1 (Officiel)

  • Vincent Enyeama - Bom posicionamento do guarda-redes nigeriano, seguido de um rápido e curto deslocamento lateral que lhe possibilitou a defesa. É certo que existe mérito de Enyeama, mas a meu ver, o avançado do Evian, Sougou, poderia ter finalizado bem melhor.
  • Benjamin Lecomte - Boa tomada de decisão em situação de canto, pelo fato de não ter saído da baliza. Posicionou-se rapidamente no lugar correto consoante a trajetória da bola e de seguida, os seus reflexos proporcionaram-lhe uma excelente defesa.
  • Benoit Costil - Ótima capacidade de atenção e concentração aliado a um bom posicionamento na baliza, possibilitaram o desvio para canto de um remate forte fora da área.
  • Jonas Lossl - O segredo desta grande defesa é, sem dúvida, a capacidade que o guarda-redes teve para se deslocar lateralmente em função da bola, cobrindo em todos os momentos os ângulos da baliza da melhor maneira. Fez parecer fácil uma defesa que é muito difícil.
  • Ali Ahamada - A grande velocidade de reação permitiu a Ahamada fazer uma defesa de alto grau de dificuldade. O remate saiu fraco mas o possível desvio de um adversário aumentou, e muito, a complexidade desta defesa. O guarda-redes teve que esperar até ao último momento para tomar a sua decisão, consoante um estímulo desconhecido e em milésimos de segundo conseguiu decidir da melhor forma possível.

Até para a semana!

domingo, 12 de abril de 2015

A formação do guarda-redes

Como em qualquer atividade de lazer que alguém pratique, o início da formação de um guarda-redes de futebol começa pela tentativa de obter prazer e consequente bem-estar pessoal e social. É esse prazer que possibilitará a continuidade da criança ou do jovem na prática da modalidade e que irá fazer com que a aprendizagem se desenvolva mais rápida e eficazmente. "Quando as crianças jogam, devem divertir-se e encantar-se com o jogo. Se o jovem jogador não se identificar com o jogo proposto pelo treinador, a capacidade criativa dele ficará adormecida e não florescerá. Quanto mais a criança desfrutar do jogo e da bola, tanto maior poderá ser a a contribuição criativa no jogo" (Wein, 2005).

Desta forma, torna-se possível afirmar que um princípio para a formação de um guarda-redes será um contexto onde a criança tenha prazer e onde pratique com bastante frequência. A formação inicial do guarda-redes terá de contemplar ambientes de incerteza e que permitam o seu desenvolvimento individual a partir do jogo, sendo a sua base comum aos restantes jogadores. Para Sainza de Baranda (2005), inicialmente, o treino do jovem guarda-redes deverá ser composto por situações que permitam que este realize as três fases do comportamento motor: a perceção, a tomada de decisão e a execução. Visto que durante o jogo, o guarda-redes tem a necessidade e função de analisar cada situação de acordo com diversas referências, como o seu posicionamento, o posicionamento dos colegas e adversários, a trajetória da bola e o espaço, antes de eleger a ação técnico-tática mais adequada, deve ser feita em treino, uma recreação deste contexto incerto e variável que possibilite ao guarda-redes percecionar, tomar a decisão e executar cada ação.

Vigil (2008) apresenta uma proposta de formação de guarda-redes bastante detalhada, sendo ela dividida em quatro fases. Em cada fase são descritos os conteúdos de treino adequadas ao desenvolvimento do jovem nos quatro domínios da performance.


De várias propostas de etapas de formação de guarda-redes, reconheço que seja esta a mais completa e detalhada que estratifica uma ideia contínua para o desenvolvimento dos conteúdos específicos, nomeadamente os conteúdos físicos e técnicos. No que respeita aos conteúdos táticos e psicológicos, apresentam-se um pouco generalistas e superficiais, não estando descritos tão pormenorizadamente como os conteúdos anteriores. 

Para a maioria dos autores, existe uma clara tendência para que os aspetos técnicos sejam mais importantes nas idades mais baixas, para que os aspetos fisicos e psicológicos apareçam com mais importância gradualmente e para que os aspetos táticos acabem por ganhar maior preponderância no treino.

Torna-se assim necessária uma identificação de princípios simples para uma identificação objetiva dos guarda-redes jovens e a orientação da progressão sustentada de formação, um processo complexo e contínuo. Para Sainz de Baranda (2003), o processo de formação de um guarda-redes não é um trabalho de pouco tempo, pelo contrário, é uma sucessão de tarefas diárias, não improvisadas, na procura de objetivos concretos e específicos.

E ter sempre em mente que:

"Ser guarda-redes é um dos trabalhos mais solitários que existe. Todas as grandes defesas da história juntas não conseguem compensar um simples erro num momento vital" (Albert Camus)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Petr Cech é uma instituição" - José Mourinho

A cumprir a 11.ª temporada consecutiva no Chelsea, Petr Cech continua a granjear o máximo respeito de José Mourinho.

«Petr não é um jogador, é uma instituição. Há dez anos que está na baliza, já passou por muito, viveu bons e maus momentos e deu tudo o que tinha em campo. O Chelsea deu-lhe muito, mas por aquilo que ele continua a dar ao clube merece uma atenção especial e uma abordagem diferente», salientou o treinador português, quando confrontado com a possível saída do guarda-redes checo no final da época.

Fonte: A Bola online

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Top Defesas Jornada 31 | Ligue 1 2014/2015

Todas as semanas, a organização da primeira liga do campeonato francês realiza um "apanhado" das melhores intervenções dos seus guarda-redes na respetiva jornada. O "Redes ao Quadrado" vai começar a partilhar e analisar essas defesas, com a ajuda do vídeo cedido na página oficial da Ligue 1, de forma a tentar detetar quais as características e virtudes de cada guarda-redes que tornam capazes a realização das grandes defesas selecionadas para o top semanal.

Hoje serão analisadas as melhores defesas da 31.ª Jornada, com os guarda-redes Jonas Lossl (EA Guingamp), Benoit Costil (Stade Rennais), Kossi Agassa (Stade de Reims) e Salvatore Sirigu (Paris Saint-Germain) em destaque.


Fonte: Ligue 1 (Officiel)

  • Jonas Lossl - Excelente defesa a livre direto à entrada da área, mostrando grande capacidade de reagir a um estímulo desconhecido (lado para qual o executante irá rematar) e bom posicionamento entre os postes conforme a posição da barreira.
  • Benoit Costil - Muito boa tomada de decisão aquando de momento de sair, ou não da baliza para afastar a bola. Optou por se posicionar rapidamente entre os postes, mostrando de seguida grandes reflexos e agilidade que lhe possibilitaram uma bela defesa.
  • Kossi Agassa - Jogo psicológico com o marcador da grande penalidade, direcionando o braço para um lado da baliza, acabando por se lançar para o outro. Antecipou o remate do executante e conseguiu efetuar uma boa defesa. De notar a capacidade que teve para reagir a um novo e diferente estímulo, o que fez com que conseguisse também defender a recarga.
  • Benoit Costil - Mais uma vez o guardião francês em destaque! Neste caso numa situação de 1x1, onde fixou bem os seus apoios e esperou até à última decisão do avançado. Reagiu rapidamente à finta do adversário e com uma grande estirada para o seu lado direito, conseguiu negar o golo ao Lorient.
  • Salvatore Sirigu - Ótimo posicionamento entre os postes em situação de possível cruzamento do lado esquerdo, demonstrando de seguida uma boa capacidade de reação e de impulsão. Voou para o seu lado esquerdo e fez uma excelente defesa.

Até para a semana!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Feedback entre os postes

São muitas as metodologias e características que definem os treinadores, mas no geral, é certo que todos estão de acordo que esta profissão exige um grande desgaste físico e psíquico, onde as melhores prestações e estratégias devem ser sempre apresentadas. E é certo também, que todos os treinadores acreditam no facto de que os seus comportamentos pessoais, profissionais e sociais/relacionais (relação treinador-atleta) irão influenciar a prestação dos atletas. Neste último, a comunicação assume um papel importantíssimo e deve ser vista como um dos principais fatores que levam a uma perfeita harmonia entre o atleta e treinador, e consequente sucesso! 

Cabe ao treinador utilizar da melhor maneira este fator, não só fora mas também dentro do campo, tanto em situações de jogo como de treino. Por exemplo, durante a realização de uma tarefa motora, o atleta dispõe de determinados tipos de informação, fornecidos em grande parte pelo treinador, que poderão ser utilizados para melhorar ou corrigir a sua prestação nas tarefas seguintes e assim melhorar a sua performance desportiva. A isto chama-se feedback, um elemento identificador da qualidade de ensino e que se torna imprescindível para o processo de ensino-aprendizagem, permitindo avaliar, dirigir e influenciar a atividade do atleta numa determinada direção.

Com a utilização deste instrumento, o treinador pode influenciar positivamente ou negativamente a prestação do desportista através da sua capacidade de saber comunicar, sendo o feedback um elemento essencial para modificar o comportamento e a prestação motora do desportista.


feedback apresenta 3 funções fundamentais:
  • Motivação – produz motivação ou leva o aluno a aumentar o seu esforço ou participação;
  • Reforço – fornece reforço, tanto para acções correctas como incorrectas, estando associado, respectivamente, a positivo ou negativo;
  • Informação – dá informação sobre os erros como base para correcção.

Feedback – Quando?
Quando há realização de novas tarefas, deve ser utilizado um feedback intenso e seletivo.


Feedback – Precisão?
  • Descritivo (geral): indica algo que foi realizado, correto ou errado;
  • Prescritivo (preciso): fornece uma correção precisa de como melhorar os movimentos. É mais eficaz na correção de aspetos motores, técnico-táticos.

Feedback – Tempo?
Como a memória a curto prazo perde-se rapidamente e quanto maior o atraso da informação sobre o movimento, menor o efeito que esta tem. Então pode-se concluir que o feedback imediato é mais benéfico.

E ENTRE OS POSTES?

No treino de guarda-redes, e devido à especificidade da posição e de todos os gestos técnicos, o feedback deve ser utilizado nos momentos chave do treino e com o máximo de precisão possível, de forma a possibilitar ao atleta uma correta aprendizagem dos aspetos técnico-táticos e uma constante e crescente motivação do alteta para o treino.

Nunca esquecer que o elogio no contexto desportivo, nomeadamente no processo de formação desportiva, assume-se como um fator impulsionador da forma como os jovens encaram e vivenciam a prática desportiva, ajudando as crianças e jovens a redefinir o conceito de erro.
"Para apontar caminhos de desenvolvimento para uma pessoa, ainda não descobri nada mais rápido, barato e eficaz do que um bom feedback" João Carlos Rocha

Formar não é fácil - Gonçalo Borges

"Formar não é fácil. Exige sobretudo sensibilidade, conhecimento e paciência. Será que em Portugal estamos conscientes dos desafios que esta questão coloca? Creio que estamos a meio-gás. Tão depressa encontramos bons exemplos, onde a abordagem e a metodologia postos em prática são adequados, como de repente encontramos abordagens e comportamentos que lembram uma aproximação ao trabalho infantil e um ensaio sobre a ausência de qualquer sentido pedagógico em instituições de formação desportiva e social. Este último caso é grave, muito grave na verdade.

Actualmente é fundamental combater este último cenário. Formar significa educar e transmitir conhecimento aos atletas para que estes possam num futuro próximo ser atletas competentes e cumpridores (tanto faz se amadores, se semi-profissionais ou se totalmente profissionais). Significa igualmente oferecer-lhes ferramentas técnicas, tácticas, físicas e psicológicas para que possam realizar a respectiva prática desportiva de forma sustentável e também para que esta seja potencializada de forma contínua ao longo dos anos. Ora, os resultados são sobretudo um factor de avaliação, motivação e distinção, mas não podem ser o elemento principal. E o problema essencial que aqui se coloca é a infeliz proliferação de abordagens que apenas se concentram na obtenção de resultados e na formação de atletas focada apenas nesse fim. Crianças de seis anos não podem nem conseguem disputar uma partida de futebol como um adulto de trinta anos. Será que alguém já pensou sobre isto?

Creio que a continuada insistência neste método é pura falta de conhecimento e de reflexão. Temo que possa também ser irresponsabilidade – o que é grave, quando estamos a falar de pessoas e instituições que possuem “responsabilidades”. E como é evidente o prejuízo que daqui advém é excessivamente grande para o tamanho do nosso futebol. Penso que esta abordagem apenas trava o nosso desenvolvimento porque “castra” os atletas, porque os forma de forma deficiente (o foco nos resultados retira tempo e espaço a dados processos pedagógicos estruturantes), porque queima etapas fundamentais e porque, em muitos casos, lhes transmite maus princípios como o clássico “ganhar a qualquer custo”. Penso, acima de tudo, que esta abordagem desenvolve níveis de pressão e de stress que até aos 17 anos são prejudiciais e impedem que o atleta se desenvolva de forma “natural” e dentro do ritmo mais adequado. Na verdade, há tempo para tudo, inclusive para perder e aprender com esse momento.

É óbvio que tudo se torna mais simples quando se formam atletas debaixo do som da vitória. Já dizia o outro: é mais fácil formar do que ganhar. E é, mas isso não significa que quem perde esteja a formar mal. As vitórias não dizem tudo sobre o sucesso dos projectos formativos. E a derrota faz parte do processo, sobretudo em idades menores, quando o foco é a transmissão de conhecimentos básicos sobre o jogo e o desporto, quando se procura desenvolver o contacto com a bola e quando se pretende sobretudo dar minutos de jogo e convívio às crianças. Aqui, perder ou ganhar pouco importa. Importa sobretudo ter o cuidado de transmitir o conhecimento e a prática em doses correctas, no espaço certo e no momento certo. Se assim for, podemos ter a certeza de que amanhã será muito mais fácil ganhar.

Isto coloca-se desta forma porque se assiste com frequência ao surgimento de atletas em idade júnior e sénior que apresentam a ausência de conhecimento, práticas e atitudes que lhes permitam continuar a evoluir. Aliás, em diversos casos assiste-se ao surgimento de “maus” atletas: que não são maus por jogarem mal, mas porque acima de tudo são péssimos nas questões relacionadas com a responsabilidade, com o trabalho no dia-a-dia e com a forma de estar dentro e fora de campo. Falta-lhes o chamado “treino invisível”. Isto sucede porque talvez ninguém os educou nesse sentido ou porque apenas lhes pediram para vencer a qualquer custo.

Em simultâneo assiste-se pelas mesmas razões ao surgimento de atletas que apresentam problemas no desenvolvimento técnico e táctico. Um desses problemas é o facto de terem sido “formatados” tacticamente demasiado cedo e por terem despendido mais tempo a praticar rotinas tácticas do que a compreender o jogo e, a título de exemplo, a melhorar a sua relação com a bola. Enfim, um caso prático é facto de hoje em dia, debaixo do nome de grandes clubes portugueses, ser possível ver crianças de sete e oito anos a serem forçadas a interiorizar um modelo de jogo rígido e missões colectivas e individuais. Esta “pressa” em termos práticos apenas queima etapas e retira tempo e espaço ao que realmente importa para a realidade das crianças com esta idade. De um modo simples, o que importa é o seu desenvolvimento sustentável e não o modelo de jogo, o treinador e as vitórias.

Se temos de falar de um modelo de jogo, temos de falar num modelo de formação e da idade com que estamos a trabalhar. O modelo de formação dita as orientações de desenvolvimento técnico e táctico e o modelo de jogo e a sua complexidade depende do escalão. É evidente que uma equipa de Benjamins A (sub-11) tem um modelo de jogo. Enfim, tem uma forma de jogar que é afecta aos jovens atletas, ao treinador e ao modelo de formação, mas esse mesmo modelo de jogo é apenas uma ferramenta para auxiliar os jovens a praticar futebol, assim como é um meio para lhes transmitir conhecimentos básicos sobre a prática da modalidade. Jamais poderá ser um mecanismo para alcançar vitórias e troféus.

No fundo, é fundamental pensar sobre os princípios pedagógicos e sobre a abordagem que temos vindo a utilizar em Portugal. O jogador português necessita de ter a sua criatividade potencializada e sobretudo necessita de ter as suas etapas de desenvolvimento respeitadas. Isto se no futuro pretendemos ter melhores atletas e, se possível, ter profissionais que façam a diferença em qualquer campo. Na realidade, este não é um caminho fácil e tão-pouco é algo instantâneo. Formar jovens leva tempo e exige paciência. Talvez treinar apenas para se ganhar seja o caminho mais fácil, mas é sem dúvida o menos compensador a médio ou longo prazo.

Os atletas e os treinadores de excelência são aqueles que trabalham de forma consistente e árdua, são aqueles que dominam a técnica, são aqueles que conhecem o jogo e as suas diversas dimensões, são aqueles que respeitam e se dão ao respeito, são aqueles que vencem mas também são aqueles que perdem e conseguem extrair o sucesso futuro dessa mesma derrota. Penso que o sucesso do nosso futebol (e do nosso desporto) está exactamente neste tipo de atletas e treinadores de excelência – sejam eles amadores ou profissionais."